Cidona
era uma negrona de meia idade, morava num sítio próximo ao da minha mana
Salete, que tinha uma vendinha na beira da estrada, onde comercializava de
quase tudo, principalmente uma “pinguinha” muito devorada pelos trabalhadores, roceiros e mateiros da
região.Mas, só essa gente? Não! A mulherada de lá também é chegada, andam
quilômetros por causa de umas doses da “branquinha”.
Cidona morava há 3 quilômetros dali, e 18 de
estrada(Pedra lisa) até a Br116 que dar acesso a cidadezinha Juquitiba há 6 km de distância a mais, O localidade dos
sítios nas margens do rio Juquiazinho pertencem ao município desta cidade.
Quando era época de eleição ao final da tarde,
no Boteco da mana, animado ao som de música sertaneja e forró. O assunto era:
quem iria ganhar ou não as eleições?
Cidona com seu marido Linão, atenta a tudo, tomando a sua
pinguinha, tranquilona, sem dar palpite algum, talvez para não ser repreendida
pelo marido, apenas sorria , com um sorriso tímido,expondo sua meia dúzia de
dentes, naqueles beiços carnudos.
O fato é que antigamente, era fornecido meio de transportes para os eleitores da roça, pela
distância do lugar de votação. Estrada ruim, cheia de subidas e descidas.
Quando chove, aí é que piora a situação, pedregulhos escorregadios não
faltam, carro? Roda no máximo em segunda marcha lenta, durando o percurso até a
rodovia, 30 minutos ou mais. A pé, aquela gente leva mais de 3 horas,.Existe uma "pendenga", a estrada de Pedra Lisa, é estadual, a prefeitura não arruma, por outro lado, ela consta como "asfaltada" sem estar desde o governo Maluf de anos atrás. Porém
como todo cidadão tem obrigação e direito de votar, sobre livre espontânea pressão, lá se
vai aquele povo bem de madrugada dar o seu voto, não importando se o candidato
é bom ou não, já que só tem acesso aos “santinhos e a fama” de "bom".
Naquele ano não seria
diferente ao demais anos de eleição estadual, para governador e deputado. Dois
candidatos fortes (Mário Covas e ... De novo Maluf ,( o grande teimoso da história
política nacional).
É chegado o domingo dia
de votação, Cidona levantou cedinho ainda nem tinha clareado o dia, mais seu
marido Linão, tomou rumo à Juquitiba para cumprir seu dever cívico. Na volta,
passaram direto do seu rancho e foi prosear e tomar a famosa branquinha. O
marido voltou em seguida, a mulher ficou.
Papo vai, papo vem, a Salete interroga a Cidona:
─
E aí Cidona, escolheu bem, votou em quem para governador?
─
Ah Salete, votei nos dois, fiquei com dó, eles são tão bonzinhos!
─Mas
Cidona, então você vai a pé 24 quilômetros
para anular seu voto?
─ E é?! Eu não sabia!
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