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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Crônica de Natal ( "Jesus" menino num ponto de ônibus)

    


                     “JESUS"MENINO NUM PONTO DE ÔNIBUS

  Naquele dezembro chuvoso e frio de 2010, logo na época de Natal...Estava eu voltando de uma consulta médica,chateada com a confirmação pela segunda vez, pelo o mesmo reumatologista, sobre a minha doença, “não tem tratamento” , doença degenerativa das juntas, artrose avançada,Não tem jeito, só medicação para aliviar as dores, ouvi ele dizer: “ Vá para perícia médica”.
Aquilo soou como um carimbo no coração:  “reprovada  para o trabalho, atestado de incompetência”.

Saí cabisbaixa, com mil pensamentos na cabeça, o que fazer? Olhava pela janela do ônibus, parecia que via todos os transeuntes e a vida, em câmera lenta. Sons  externos misturavam-se com os sons dos meus neurônios, coração e tudo mais, o corpo dava choque involuntário.

 Pensava eu, Será? Nem um milagre resolveria este problema de saúde? Teria que me acostumar com isso, afinal têm certas doenças que são da genética, difícil ficar isenta delas,  já que é um prêmio hereditário de família carente de alimentação saudável.
 Fiquei pensando e comecei a comparar...  O  corpo de uma pessoa que alimentou-se mal, não cuidado,é com uma madeira leve, o cupim ataca primeiro e detona. E a madeira de lei seria de um corpo saudável,difícil de ser distruído, bem cuidado, bem estruturado. Foi com este pensamento pessimista que olhando para a rua, movimentada pelas compras natalinas, avistei...

Um menino aparentando uns doze anos de idade de cabelos curtos encaracolados dourados, feitos anéis de ouro, olhos azuis,  um olhar expressivo, roupas simples, fora de moda para os padrões atuais.Fiquei chocada,ele estava olhando a esmo, mesmo não me fitando, fiquei encantada com aquele olhar incomparável, era exatamente como imaginei um dia, lendo (Proezas do menino Jesus), do autor Luís Jardim ,sobre a infância do Messias.

Aquela imagem, aquela cena era um aviso para mim, como se me dissesse algo: “Não sofra antecipadamente, viva o hoje, Ele está á caminho, está presente na tua trajetória
de vida!”. Talvez nem tivesse nada a ver com a figura e aparência daquele menino, coisas da minha imaginação, inspiração, mas como? Se pensamentos bons provém do Espírito Santo de Deus? Uma lição a mais a ser seguida.

Veio uma força estranha dentro de mim, uma emoção tão forte, que eu não sei se caía mais gotas de chuva na janela do ônibus, ou lágrimas de emoção dos meus olhos, na mente um clarão, como se fosse flash de câmera fotográfica, a imagem do menino ficando para trás e as idéias brilhando na minha frente. Mentalmente a idéia era de superação já, esquecer  a” madeira cupinzada, bichada”,afinal não sou só, há tantos piores, até sem "cupim" mas com doenças piores e nem por isso lamentam.A saída é partir para uma nova etapa de vida, trabalhar com tudo de bom que sobrou , afinal, pernas pra que te quero? Existem outros meios.

Foi com este pensamento que senti um milagre dentro de mim, O da esperança,sorrí com vontade de contar a todos, que a gente pode ser feliz sim, apesar dos percalços.

Compreendi que o Natal tem este poder de operar milagres. vai muito além de ser um tempo de reflexão, confraternização, festa. É tempo de renascer,livrar-se da pele velha, revestir de vida, deixar chover a graça, molhar, umedecer o coração, secar as lágrimas de tristezas,moldar sonhos, acreditar que nada está totalmente perdido.

E...Bastou-me a imagem de um menino!
                   
              Dora Duarte

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cadê os sapos que estavam ali? O entulho aterrou! Crônica


                            
          Em dias chuvosos, quando eu passava próximo ao um imenso terreno, ouvia um coral de milhares de sapos coaxando. Evidentemente em evolução, usavam o método natural do mandamento de Jesus Cristo”Crescei-vos e multiplicai-vos” numa maternidade improvisada.
           Um certo dia ao passar por lá,  percebi um silêncio no ar, somente o barulho da chuva. Olhei e vi uma placa  enorme bem visível “Vende-se” .sete mil metros quadrados bem aterrado com entulhos de demolições, nada de terra vegetal nem vegetação, nem poças, nem sapos.
           .O bairro cresceu de uma forma acelerada numa proporção desvantajosa à natureza. Expandiu-se, sufocou-os.e a cadeia alimentar deles( os mosquitos) aumentou!
E onde há muitos insetos, é sinal de desequilíbrio natural.
        
          Quando penso nesse fato, a primeira idéia que vem à mente.Quais serão os próximos seres vivos e espécies da nossa fauna a  desaparecerem do seu habitat? Primeiros os animais e depois?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O "APARADOR DE GRAMA" (CRÔNICA)



 
      Todo mundo vai ao centro diariamente: estudantes, trabalhadores, donas de casa, criança e por ai vai. Uns vão de carros, motos, mas a grande massa popular, usa mesmo, o “latão” apelido dado aqui aos  ônibus velhos, pois novo é mais raro. Sem carro como estou  no momento, por um lado é ruim, tudo longe, o ponto de parada então...Haja pernas para dar conta de chegar até lá! Mais de um quilômetro para qualquer lado que eu me dirija.. Por outro lado, me fascina, observo, coisas que não interessam a maioria das pessoas. Faço questão de ficar do lado da janela e alterno toda vez que vou à cidade.

           Um dia desse saí, o tempo estava meio duvidoso, ameaçava sair o sol, ao mesmo tempo chuviscava e estava frio.Na estrada de areia clara, que costumo fazer o meu trajeto diário ,deparei com uns “quero-queros” tentando avançar em mim. Na hora não pensei o por quê dessa agressão, assim  sem mais nem menos. Depois encontrei um casal que me alertou, “Era por causa de um ninho deles que estava cheio de filhotes”...Então era isso! Segui em frente. Olhei como de costume a paisagem, os quintais floridos, dei de cara com um belo cavalo, morava mesmo no quintal, e ele comendo grama, percebi que ela estava toda aparadinha, parecia que tinha sido passado um cortador, mas na real, depois pensei...Esse cavalo é um cortador natural de grama!, Nada desperdiçava....Queria um desse cortador.

domingo, 3 de abril de 2011

Gravando!!!!(crônica)


Finalmente depois de vários ensaios (um dia dava pra mim, outro não dava pra o editor produtor e vice versa) para começar gravar um cd de música bem fora do contexto dos dias atuais. Eram velhas canções, ouvidas na infância: de lavadeira, de minha mãe,de pessoas mais velhas que nem lembro como era o rosto,  era muito pequena. Era um sonho meu, estimulado pela minha amiga Gilka., quando me ouviu cantar na Roda de história...

Sabe aquela coisa de recear esquecer, ou  morrer e não deixar raízes, esquecidas e deteriorada pelo tempo? Já que algumas das minhas irmãs conhecem as cantigas, mas não têm meios para publicar nem muito interesse Assim eu pensava. Mas como sonho só se realiza com um “empurrãozinho” de alguém, encontrei em meu caminho, Gilka e o sr Donato. Gilka doutora professora de ensino pedagógico na Universidade Federal de Santa Catarina, quando cantei na roda a pedido dela,amou as cantigas, aconselhou-me a gravar. Pensei, mas como, quem iria aceitar tal coisa, tal desafio, sem fins lucrativos?

Foi aí que Deus que decide nossos caminhos, destinos, colocou um ” senhorzão” de cabelos grisalhos, atolado debaixo de um inseparável chapéu. Conheci quando entrei para Aliflor (associação literária florianopolitana), ele logo com sua simpatia e carisma, aproximou-se de mim, contou-me que tinha uma editora e podia editar o meu primeiro livro, que a editora dele visava os pequenos escritores principiantes que não tinha condições de publicas livros em grandes quantidades.

Quando o aceitei,  alguns veio cochichar nos meus ouvidos criticando o trabalho dele, caro, mal feito, mesmo assim arrisquei a contrariar as criticas. Resumindo, em menos de um ano, consegui há duras penas realizar uns dos meus muitos sonhos, e outros esperando na fila. Primeiramente agradeço a Deus e a este senhorzão Donato, que também se revelou um produtor de cds, em dezembro de 2010, produziu um cd de poemas meus,com um número pequeno de exemplares bem vendido entre os amigos.Por coincidência seu Donato e eu ,moramos no mesmo bairro, apesar de um pouco longe, muitas vezes para eu ir lá, tenho que pedalar horrores, forçando o meu joelho doente com o meu Djair triciclo, mas quando não dar, vou a pé mesmo, vou de ônibus, mas vou .

Quinta-feira, 31 de março, chegou o dia da gravação das antigas cantigas. As 14:horas cheguei . O estúdio era numa varanda aos fundos da casa, ou seja, ao ar livre, achamos que era menos barulho que dentro de casa, claro sem prova do som, mas aí é que estava engraçado.
.
Quando começou a primeira música, logo de cara os três cachorros labradores da casa, correram na nossa direção, um pulou em seu Donato, levou um tapa, caí na risada, gravando novamente. Depois de algumas músicas gravadas, Começa um som bem característico conhecido do Campeche, sendo tão próximo ao aeroporto, uma série de decolagem e haja barulho, haja espera! Até os passarinhos queriam participar cantando na gravação, que iriam ficar lindas as cantigas, só que eles cantavam antes, pena, Silenciado, recomeça a gravação...E lá vem ela, linda maravilhosa,a chuva, belíssima, mas barulhenta e atravessadora,poderia tanto compassar para fazer parte do arranjo musical...Assim mais um sonho meu realizado, ficou bom, um dia ficará ótimo, é muito trabalhoso, porém gratificante 

                          Dora Duarte

terça-feira, 22 de março de 2011

Oito anos de Floripa

                                                      Oito anos de Florianópolis
                                                        (Minha historia daqui)

Há oito anos aportei na Ilha
De cara limpa avistei a ponte
Encantei-me
Foi amor á primeira vista
Sem convite adentrei
Os braços de mar me abraçaram
Ninguém me esperava...
Mas a Natureza deu-me as boas vindas!
Neste ” pedacinho de terra perdido no mar”
Fiquei.
Renasci para poesia, antes morta...
Há oito anos
Escrevendo
Apaixonando
Amando
Inspirando
Versos líricos
Conquistando amigos.
Comungando
A natureza
A beleza
Desta Ilha mágica.                                                                 
Dora Duarte
Detalhe: Cheguei véspera do aniversário da cidade.23 de março. Parabéns Florianópolis, 285 anos!


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