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sábado, 18 de fevereiro de 2012

série: lendas encantadas brasileiras/ A lenda da vitória régia


Os velhos pajés das tribos da Amazônia contavam que a lua, todas as vezes

que desaparecia por detrás das serras, escolhia uma jovem índia, transformando-a

em estrela, que passava a brilhar no céu.

Um valente cacique tinha uma filha muito bonita, chamada Naiá. A jovem era

Clara como o leite e tinha os cabelos loiros como uma espiga de milho.

A moça desejava ser escolhida pela deusa jaci, a lua, para ser transformada

Numa estrela cintilante.

Mas a lua  não ouvia seus pedidos e a jovem, muito triste, ficou doente e

Começou a emagrecer.

Os pajés tudo fizeram para cura-la, mas sem resultado.

Todas as noites, Naiá saía de casa e caminhava até amanhecer o dia, na esperança

De ser vista e escolhida por Jací.

Certa noite, quando estava cansada de andar, Naiá sentando-se á beira de um

Lago sereno, viu a imagem de Jaci  refletida no espelho das águas.

Atraída pela luz da lua, a índia atirou-se no lago, desaparecendo.

Semanas inteiras, a jovem  foi procurada pela gente da tribo, mas Naiá

Não reapareceu.

Os  peixes e as plantas do lago pediram a Jaci que a moça fosse transformada

numa estrela das águas, a bela flor que abre suas pétalas à lua da lua:

É a vitória-régia.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

série: lendas encantadas brasileiras( O uirapuru)



                                A lenda do Uirapuru


           Duas índias muito amigas, viviam andando juntas para todos os lados,
desde o amanhecer até ao entardecer. Um dia as duas viram um jovem cacique, muito bonito, e ambas se apaixonaram por ele, sem dizer nada uma à outra. Apenas deram a entender que estavam apaixonadas, mas sem dizer por quem.


     O tempo foi passando até que um dia revelaram a verdade uma à outra, sendo que ambas ficaram estupefatas com o fato de amarem o mesmo homem. Decidiram que deixariam o cacique decidir, e a preterida se conformaria.

   A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao cacique qual das duas ele amava. O cacique, envergonhado, respondeu que gostava das duas. Como não era permitido casar-se com as duas, ficou decidido que haveria um concurso de arco e flecha entre as duas no dia seguinte. No dia seguinte, o cacique avisou que aquela que conseguisse acertar a ave indicada por ele, em pleno vôo, se tornaria sua esposa.

   Quando uma ave muito branca passou voando alto, o cacique disse: - É essa! As duas atiraram, mas somente uma acertou. A que perdeu parecia conformada, mas aborrecida. O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste. Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho. Tupã, ao perceber tanta tristeza, aproximou-se, e a moça contou-lhe tudo.

   Tupã lembrou-lhe que saber perder é uma vitória, ao que a moça lhe disse que o que mais a afligia era a saudade que sentia da amiga e do cacique, mas que não tinha coragem de vê- los, pois perceberiam sua tristeza. Perguntou a Tupã se não podia transformá-la em pássaro, pois assim poderia observá-los sem que eles soubessem. 

  Compadecido, Tupã fez-lhe a vontade, e no lugar em que a moça estava surgiu um passarinho de aparência tão simples, que não chamava a atenção. O pássaro voou até a oca do cacique, e ficou ainda mais triste ao vê-los tão felizes. Tupã compadeceu-se novamente, chamou o passarinho e lhe disse: - De agora em diante, você será o uirapuru.


 Seu canto será tão bonito que a fará esquecer a própria tristeza. Quando os outros pássaros a ouvirem, não resistirão, e ficarão em silêncio.
 E assim é, até hoje: quando o uirapuru canta, os pássaros em volta se emudecem para ouvir seu belíssimo canto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Maria fulorzinha(cumadre)

                “Maria fulorzinha”

     Era uma menina bem pequena, de cabelos lisos e de tão longos, arrastavam aos seus pés. Era uma figura horrenda, asquerosa. Ela aparecia na mata do estado, situada em João Pessoa PB.
     Contavam os antigos moradores, que essa menina, vivia assombrando todos aqueles lenhadores carvoeiros que costumavam buscar a lenha para o devido trabalho.
    Para quem conhece o “curupira”, a estória é quase semelhante.
    Diziam que Maria fulorzinha morava na mata. Contam que ela assoviava   bem fino, se uma pessoa ouvisse o assovio de longe, era porque ela estava perto e se ouvisse perto, era porque ela estava longe. Quando alguém topava com ela, assustava e entrava em pânico, pelo o poder que ela tinha de hipnotizar a vítima.Tinha os  cabelos longos, aparentava sete anos de idade,dentes horríveis, podres, os olhos esbugalhados , a voz asquerosa.  Quando exigia fumo ... Ai de quem não tivesse em mãos! Nem que fosse uma “lasquinha”, do contrário, amarrava a vítima num tronco de árvore, dava-lhe uma surra com os cabelos, até deixá-la inconsciente. No dia seguinte, era achado o corpo, niquelado, desfalecido.ou  morto, amarrado com um cipó num tronco de uma árvore. Nunca se soube, se morriam da surra, ou do medo.

  (obs: existem duas versões desta história: Uma é o nome "cumadre fulorzinha" e a outra "Maria fulorzinha", mudam alguns aspectos, porém, foi assim que eu ouvia contar na minha infância em João Pessoa, Pb

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A "mãe da lua" (comemorando o mês do folclore brasdileiro)


O Urutau é uma ave noturna que, quando a lua desponta, solta um grito triste e assustador. Sobre ele, conta-se uma curiosa lenda.

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.

Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou "Cuimbaé acaba de ser morto".

No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de "mãe-da-lua". Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. "Meu filho foi, foi, foi..." - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, "melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor", cercou-se de "misterioso prestigio assombrador".

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso "amuleto de preservação da castidade feminina". A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, "curando" as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a "Rasga-Mortalha", esta última - esclarece Câmara Cascudo - tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.
(Autor desconhecido)
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