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sábado, 13 de julho de 2013

A Semente (conto de ficção)


                           


               Um belo dia de sol, mas com um vento sul medonho, subi a Rua João Mota Espezim, apressadamente, pois já estava atrasada para um compromisso importante.

                De repente, vi uma coisa estranha, marrom brilhante, rolando sobre o asfalto, carregada pela força do vento. Não queria parar pelo o motivo já citado e por causa da ventania muito forte daquela de arrepiar tudo. Só que a curiosidade falava mais alto. Resolvi correr atrás daquele objeto estranho.

            Depois de uma carreira doida em zig-zag, finalmente alcancei “aquilo”. Era uma semente grande, com cuidado apanhei com as duas mãos, as fechei  e abri em seguida. Foi tamanha a minha surpresa em perceber que ela tremia e tinha os olhinhos que piscavam para mim.

            Comecei  falando , fazendo-lhe dezenas de perguntas como se tivesse a certeza dela me responder e respondia-me sim com os olhos piscando. Daí tive uma ideia e disse à ela:

Para cada pergunta que eu fizer, se for sim, uma piscada, ser for não, duas piscadas. Ela entendeu com uma boa piscada. Assim num diálogo estranho, diferente,  foi uma forma inusitada de comunicação entre a semente e eu. Assim contou-me sua história através das minhas perguntas e as piscadas de olhos:

            “Eu sou uma semente importante, vim carregada pelo vento, preciso ser plantada, porque a minha espécie estar em extinção. Cortaram minha mãe,o tronco,meus irmãos,os galhos e minhas irmãs, as sementes ,pegaram para artesanato. Somente eu escapei, mas foi carregada pelo vento “.

            Pediu-me para replantá-la, regá-la, cuidar bem para que ela pudesse sobreviver.

            Foi assim que eu entendi e foi assim que a plantei no jardim do Conselho Comunitário. Imaginei que, ela é uma semente especial, filha da árvore que deu o belíssimo nome da nossa mãe pátria. Acredite se quiser.

 

                      Dora Duarte

quarta-feira, 26 de junho de 2013

QUEM TEM MEDO DE BALÃO?



                                                     Relato

Aconteceu há muitos anos, num povoado pequeno , era de costume tanto soltar balão, como ir às novenas de época dos santos juninos. Simplesmente soltavam, não sabiam o paradeiro e nem se importavam para onde iria aquele imenso balão, nem muito menos se ouviam falar de incêndio.

Certa noite sem ser de lua crescente ou cheia, de uma escuridão profunda, aquele povo com lamparinas nas cabeças para iluminar a única estrada que dava acesso ao um  caminho de uma casa, onde aconteceria o último dia da novena de Santo Antônio, mesmo sendo noite de acender as fogueiras de São João, clarão só nos terreiros das casa.

A estrada por onde o povo caminhava, era deserta, tinha um  cemitério, famoso por muita gente falar que aparecia alma penada. Naquela escuridão, nenhuma vela acesa, mas a “procissão” de lamparinas nas cabeças passavam. A maioria mulheres com seus filhos segurando as barras da saias das mães.

Depois dos festejos, encerramento da novena, aquele povo volta pela mesma estrada

De repente com a luminosidade precária das lamparinas se enxergou um pouco lá na frente, um vulto que parecia um gigante, negro, sem braços , sem cabeça, ,nem  pernas, era como se fosse uma imensa barriga que se mexia, rolava, subindo e descendo.

O susto foi coletivo, ninguém tinha coragem de seguir com aquele “monstro medonho”, o medo era maior, até porque era em frente ao cemitério, . Parados ali estáticos, o àquelas mulheres, alguns homens e crianças entreolharam-se. Alguém perguntou quem se arriscaria seguir em frente. Rumores, choros, gemidos surgiram, mas atitude que é bom, não apareceu por alguns minutos.

Até que um menino aparentando uns onze anos, poderia ter ,porém, era muito franzino, calado correu à frente, num impulso avançou em direção àquela coisa, atracou-se à ela e o mistério foi desvendado: era um balão colorido imenso que havia caído, parecia negro por causa da escuridão.
Dora Duarte
                                                   

domingo, 26 de maio de 2013

"A Esperança é a Útima que Morre"(releitura)


                          


                                (Releitura de um conto (autor desconhecido)

Um fazendeiro tinha um jumento muito bom, trabalhador, dedicado aos afazeres rotineiro da fazenda. Era um exímio servidor ao seu senhor.Um bom carregador de lenha, sacas de farinha, de feijão...Tudo dentro do que era possível , nas redondezas, onde camioneta não tinha acesso,o animal carregava.

Certo dia, pela manhã  bem cedo, o dono o procurou pelo pasto  e não o encontrou. Ficou desesperado, o chamou pelo nome e nada. Na busca desesperada, sem muito resultado, mandou os seus peões o procurar minuciosamente. Cada um seguiu uma direção diferente.

Lá por volta do meio dia, sol à pino, um dos peões o achou caído dentro de um poço profundo, desativado sem água. Logo correu para dar a notícia ao seu patrão, que foi imediatamente ao local do acontecido....Olhou para dentro do poço, ficou muito triste, por mais que pensasse numa solução de tirar o jumento lá de dentro, era quase impossível, pois era muito profundo e o  animal dele poderia está com as pernas quebradas e não aguentar, seus empregados não tinham como descer e nem subir com ele. Então com muita tristeza resolveu deixá-lo lá, mas antes mandou jogar terra para aterrá-lo, o sacrificando para não sofrer tanto com a morte.

Quando todos foram embora, o jumento que presenciara tudo, por amor ao seu dono e a sua vida, contrariando o que pensavam sobre ele, começou a amassar a terra caída e bolos de barro que caía da ribanceira a amassar, amassar pacientemente, lutou muito. Conforme foi amassando, ele foi aterrando o poço, contudo ia subindo de  tal forma que chegou a superfície, onde enxergou o horizonte são e salvo, apenas alguns arranhões.

O inacreditável aconteceu....

sábado, 11 de maio de 2013

A velha Cadeira


                                 

imagens emprestada do google



Estava ela ali bem diante dos meus olhos, aquela velha cadeira próximo ao um rádio moderno, que me remeteu aos anos 60. Muitas lembranças vieram visitar minha mente em raios de segundos. Parece que estou vendo o meu velho pai sentado nela, a velha cadeira de balanço, ao lado do rádio (o bem mais precioso da casa), fumando seu cigarro de palha e ouvindo as últimas notícias sobre o golpe militar (Revolução 1964) no famoso programa “A Hora do Brasil”. Quando fecho os olhos parece que ainda ouço aquela clássica música “O guarani” do autor Carlos Gomes.

As Notícias corriam mascaradas sobre o que acontecia no nosso país. Na hora que surgia uma voz que dizia: ”edição extraordinária”, lá em casa ninguém abria o bico, para ele ouvir melhor. Era repressão lá em Brasília e lá em casa também. Nem ao menos um dos membros da família tinha o direito de perguntar o que estava acontecendo. Só fiquei sabendo as causas após anos, claro, nos livros didáticos e nem todos revelaram a verdadeira história “mascarada” como foi a primeira vez noticiada. 

Um dia, porém, surpreendi minha mãe sentada naquela cadeira de balanço num dos momentos raros, chuleando um vestido, novamente cantando aquela velha cantiga de guerra, que falava de uma carta dum soldado atingido e nas últimas para morrer, escreveu a sua mãe e namorada, fiquei chocada. Despertou-me uma curiosidade, interrompi o canto dela e perguntei se a guerra  tinha acontecido na nossa pátria, nunca tinha ouvido falar. Da primeira vez ela não me respondeu, mas decerto o meu pai havia comentado, pois naquele dia me respondeu pausadamente: ”Não, no Paraguai, mas o ilustre desconhecido era um soldado brasileiro”.

Hoje ao ver o contraste, rádio velho, poltrona nova, rádio novo, cadeira velha, como peça de decoração, fico imaginado... Quantas histórias vividas têm por trás destes objetos!

                 Dora Duarte

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A árvore mal-assombrada (relato)


 

 
Foi num clima de uma seca violenta naquela época, exatamente  ano de 1977, lá no Nordeste brasileiro era uma carência muito grande de água, o solo sedento de chuva , especificamente no sertão e também no agreste, num pequeno lugarejo chamado “Barra do Geraldo”, que aconteceu esta história...

Devido a escassez, o que tinha em casa, era para beber e cozinhar ,Aquela gente ia longe para lavar  roupas . Neste dia, na casa da minha avó materna, (eu morava com ela), era muita gente da minha família que tinha chegado do Rio de Janeiro.

Chegou:  a minha mãe, tias  tios, primos e primas. A casa cheia, com tanto, mais roupas sujas para lavar. E foi nesta circunstância, na ida ao açude que ficava bem  distante dalí, que  aconteceu um fato muito estranho.

     De véspera  a minha mãe perguntou:

 ─ Vamos  se reunir , para  ver  quem vai sair  amanhã   lavar toda roupa . Perguntei a minha avó:

           ─ Vó  quem vai?

          ─ Vai eu,vai você ,sua tia  e sua prima. Peça amanhã ao seu avô para preparar o cavalo. O açude é muito longe , temos que sair de madrugada.

 

Desde muito criança, ouvi falar de uma árvore assombrada, Dizia o povo que todo cavalo que passava debaixo desta árvore se assustava,emperrava, há ponto de levantar as patas dianteiras e não seguir em frente. Confesso que não acreditava muito nessa história de assombração, porém tinha curiosidade de um dia passar lá e conferir, se era verdade ou mentira, e nesse dia da lavagem de roupa, era uma chance, pois  por este caminho era que a gente ia passar.

Saímos muito cedo, às 4 horas da manhã  estava muito escuro ainda. Na frente, eu montada no cavalo com a cangalha cheia de trouxas de roupas e minha prima que era bem menor na garupa. Ela tinha 7 anos de idade e eu 11  , a minha avó  e minha tia atrás, cada uma com um balde cheio de coisas. O da minha avó:  o sabão,o cachimbo, o fumo e  o da minha tia, lanche pra gente  comer, aguentar a fome até a volta .No caminho inteiro eu ia pensando naquela história da árvore assombrada, duvidava, queria ver pra crer, tirar à limpo....

          Quando foi se aproximando da árvore, o cavalo foi ficando estranho, mudando o comportamento, agitado, as orelhas levantaram,  eu percebi que ele estava nervoso. O meu coração começou acelerar, a pulsar rápido. Quando  faltava uns dez metros mais ou menos desta árvore, o cavalo parou. Eu levava comigo  um galho de mato com folhas, que se chama também de  “cipó ”, no que ameacei a dar umas cipoadas de leve para ele seguir em frente, ele só rodopiava e não saia do lugar. Foi uma peleja, pelejei. Com muito custo, ele seguiu lentamente assustado.

         Ao chegar à travessia debaixo da árvore, o dia já estava amanhecendo, apesar da claridade, debaixo dela estava escuro, porque tinham  matos que a encobria  e a ensombrava. O cavalo desta vez empacou. Na hora, comecei a insistir, foi pior, ele andava de ré, pulava de ré, pulava desassossegado por várias vezes, parecia um touro numa tourada, .Foi quando a cangalha rolou e eu rolei  junto com ela , a minha prima caiu primeiro e fui a última caí. Quando olhei, ela estava estirada no chão. Vi também o cavalo relinchando e levantar as patas dianteiras .

A minha avó e tia que vinha atrás viu tudo. O cavalo não ia de forma alguma. Foi aí que eu passei acreditar naquela história  que era de verdade mesmo aquela história .Depois do susto, já tinha amanhecido o dia, a minha prima voltou para chamar o meu avô, não era tão longe. Ele veio arrumou a montaria no cavalo, ele saiu puxando o cavalo, eu  à pé atrás  para tanger o animal, desta forma fizemos a travessia , foi difícil. Daquele dia em diante, nunca mais me  esqueci daquela árvore assombrada.

                     Eu Erotildes Maria dos Santos, autorizo a Dora Duarte a escrever este relato.
 
 Escrito e postado por: Dora Duarte

 

 

 
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