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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Enigma dos sonhos



           
           

Ha tanto o que se explicar coisas confusas que aparecem nos meus sonhos.
Desde há  muito tempo tenho sonhado com as mesmas situações me envolvendo em obstáculos.
Vejo-me caminhando perdida, sem saída  em ruas desertas,bairros, becos, praias , pontes, etc.
Ontem mesmo, como de costume ao amanhecer, mais um sonho ruim, ou é considerado pesadelo, eu  não sei...
Estava eu num lugar parecendo um parque temático, eu precisava comprar um bilhete de trem metrô, para ir a algum lugar, ate consegui comprar, mas, uma multidão me atrapalhava eu achar a catraca ao ar livre, ate que um policial, pediu o afastamento das pessoas e mostrou aonde era, daí, coloquei o bilhete, passei.
Só que adiante eu não achava a estação, perguntava a alguns transeuntes,onde era a estação, ou uma saída, ninguém me respondia, ia adiante, quanto mais eu caminhava, mas me perdia e aparecia obstáculo, cheguei noutro lugar de muitas águas, era o mar, imenso, eu dava volta para ver se saia noutro lugar, dava de cara com mais águas, inundações...
Passei ao lado de uns casebres, crianças desprotegidas paradas,peguei no braço de uma, preocupada em as águas a levar embora. Meu Deus eu não sabia o que fazer, e nem para onde correr, que sufoco! Desesperadamente, fui em frente, apareci num lugar cheio de gente, parecia um cartório , um balcão, perguntei ao funcionário onde eu estava, que lugar era aquele, simplesmente não me respondeu, nem as pessoas ali, a cada um que eu perguntava, virava as costas... Foi naquela agonia que eu acordei com o coração tentando sair pela boca, õ sufoco! Ate me dar conta que era de “mentirinha”, era um sonho mal... O dia já havia amanhecido, olhei no radio relógio ,era já quase nove horas..
Ouvi o cantar dos pássaros, levante-me, fui ao quintal repirar o ar que me faltava, contemplar tudo aquilo que Deus me promoveu em minha volta, o verde, a chuva, o vento, mesmo sem a presença do sol, não importava,Entrei de volta em casa, no meu lar e  o mais importante, eu estava aqui presente no meu mundo.

(Dora Duarte)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Imprevistos de viagem( crônica de aeroporto))

           

                                      
         Indo a São Paulo a passeio, como de costume comecei dias antes a planejar tudo para não sair nada errado, mas não foi bem assim. Pelo contrário, quanto mais pensamos assim, parece que tem um ímã, uma lei que comanda puxa e repuxo para acontecer o inverso Por mais que tentamos, acaba dando tudo errado.
       Veja os fatos: aconteceu naquele dia 25 de abril de 2008... Já que havia dormido de véspera na casa de minha amiga, porque  levei a minha cadelinha para ficar lá, a pedido dela, onde eu já trabalhava provisoriamente três dias na semana há alguns meses.
       No dia seguinte, por falta de opção aceitei carona do genro dela até o aeroporto. Saída da casa dela estava prevista para 11:30, ele antecipou para 10:00.
 Tive que correr com as tarefas caseiras: corro para o banho, toca o telefone, corro para lavar a louça, novamente toca o telefone, nesse “alô”, é amiga recomendando para deixar o fax ligado e com papeis suficientes caso alguém ligasse para enviar nota fiscal. Corro para enxaguar os copos ensaboados, esqueço do fax, isto tudo sem passar base nas unhas já que deixei por último, para as elas chegarem bonitas em São Paulo e viajar com unhas nuas e feio! Detalhe( pintava elas, em ocasião de festa, como quase não ia em nenhuma, elas ficavam assim despidas de esmalte)

      Precisava fazer comunicação com minha família de lá, pelo MSN, para ver quem iria me buscar no aeroporto.  O computador amanheceu todo desconectado, sem internet e eu não sabia o “segredo” onde conectar, sozinha, já que a amiga tinha saído cedo e me deixado com autonomia de fazer o que me fosse necessário. E... Haja imprevisto!
    A blusa uni sex branca de seda (era a mais nova que eu  tinha) que eu ganhei numa sacola cheia de roupas usadas que ela me deu,  queria usar, não podia sair com ela, já que o doador era o moço que iria me dar carona, envergonhada, não usei, levei para trocar no aeroporto. Detalhe: fui com uma camiseta “batida e surrada”, pois a mala já estava bem fechada e não quis mexer. Levava junto a base de unha, assim mesmo emprestada.Ô situação, foi um ano de maior crise financeira em minha vida, mas nada eh vergonhoso pra mim, se o que eu estava fazendo era um trabalho honesto, o único que consegui as pressas.

      Finalmente ele o genro dela me deixa no aeroporto, 2:00h antes do voo. Fiz um lanche, mas o cansaço, a correria era a tanto, quedou muitos cochilos , despacho a mala com bastante antecedência , vou ao toalete, troco de blusa, a feia pela a fina e bonita e fico à espera do chamado, passo escondida a base nas unhas. Afinal tinha que chegar bonita, já que a passagem de avião foi cortesia do meu sobrinho e esposa, para que eu participasse do segundo aniversário do filho deles, Pedro, meu sobrinho neto.
Tudo pronto, ouço o chamado, embarco.De Florianópolis à São  Paulo , voo durante o dia. não passa de 1 hora.
     Lindo dia de sol e eu de olho naquele lindo panorama, admirando todo o litoral catarinense, paranaense e por último a Baixada Santista. Quando está chegando lá, a aeronave toma o rumo de volta e nem avisa. Fico apreensiva sem saber o que estava acontecendo, Já tinha viajado muito de avião, nos bons tempos da minha vida, nunca havia passado por algo parecido.
 Começo a suar frio, vendo lá embaixo, o aeroporto de Congonhas, e nada da aeronave pousar, faz meia volta, logo avisto a rodovia dos Imigrantes, novamente Santos e agonia tomando conta de mim. No meu ver, aqueles minutos foram  transformados numa eternidade.S'o me faltava essa, ele cair de imprevisto naquela hora, ora essa!  Finalmente a tortura acaba. Nunca foi tão bom pousar em chão paulista. Ufa!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O burrinho e o nascimento de Jesus




Finalmente chegamos a Belém. A viagem foi mais longa do que deveria e muito mais penosa do que eu poderia imaginar lá atrás quando vieram me buscar no curral falando que levaria Maria, esposa do meu patrão José, até Belém para que Ela acompanhasse o marido que deveria se apresentar na cidade para o Censo do Erodes.

Cruzamos de Nazaré a Belém em uma jornada insana para um simples recenseamento. No caminho apareceu uma estrela que, segundo Gabriel – Anjo da Guarda de José – é um sinal dos Céus para anunciar o nascimento de Seu filho,  Jesus. Ora, vou confessar que apenas como animal de tração dessa viagem, meu entendimento é limitado com relação a essas coisas. Nunca procurei me intrometer nem entender dos assuntos dos homens. Faço meu trabalho em troca de alimento, água e descanso em pouca sombra que é mais do que o necessário pra comportar o meu pequeno físico. Nunca fui de exigir compreensão nem piedade mesmo de meus donos. Nunca fui de buscar entendimentos ou lógica nas coisas feitas pelos homens, mesmo porque, afinal, eu sou um burro.

Mas tenho de confessar que desde o primeiro instante em que a jovem senhora subiu em meu dorso, um ânimo especial tomou conta de meu espírito como se aquela doce moça na flor de sua formosa juventude carregasse consigo algo de muito especial, de muito valioso. Não senti seu peso em nenhum momento da viagem. Não A ouvi reclamar em nenhum momento – nem mesmo sob o sol forte,  ou sob o frio das noites no deserto, ou de um balanço mais desastrado de minha parte ao subir e descer tantos morros.

Fiz um diário desses dias de viagem indo para Belém. Registrei desde nossa saída de Nazaré, passando pela casa de Isabel, seguindo pelo caminho em marcha bem lenta por conta do valor da carga. Falei das aparições pirotécnicas do Gal (Gabriel) que sempre me assustavam, mas serviam de diretriz para o José. Comentei da teimosia de José em tentar atalhos e se distanciar da Estrela. Apresentei alguns outros animais que nos fizeram companhia em alguns momentos da viagem como um coiote, uma gralha, um lobo e um cervo.

Mas agora chegamos a Belém só nós três. Exatamente como saímos de Nazaré. José já não tem mais sandálias. Eu já não tenho mais ferraduras. Mas ambos temos Maria e em seu ventre Aquele que trará caminhos novos para todas as sandálias e ferraduras desse mundo.

E então chegamos a Belém, finalmente. Mas a cidade está cheia por conta do Censo do Herodes. Pensei que ficaríamos em algum hotel ou num vale com rio de água fresca, onde eu poderia tomar um bom banho e esticar as minhas canelas magras e ressecadas pelo sol e pela poeira das estradas. Mas qual não foi minha surpresa, ainda durante a viagem, ao saber que não tínhamos reservas para lugar algum. José estava contando em se hospedar na casa de alguns parentes – primos pra lá de distantes que nunca conheceu – mas todos em Belém aproveitaram o Censo. Resultado: Não há vagas! Em nenhuma pousada ou casa de parentes.

O que fazer agora? Maria já começava a apresentar sinais de que o menino Jesus não estava disposto a esperar mais tempo pra nascer. José entrou em desespero pelo estado de Maria – mesmo sendo um homem de Fé sem igual – e começou a bater de porta em porta suplicando para darem guarida a sua mulher que estava em vistas de dar a luz. Mas a única coisa que ouvia é que a casa já estava cheia, que não havia lugar pra mais ninguém. O que fazer agora? Eu mesmo sentia a doce senhora se contorcendo sobre meu dorso, enquanto observava a agonia de José correndo por todas as ruas da cidade. Foi então que decidi – e isso Lucas esqueceu de comentar em seu Evangelho– ir até um estábulo que se via a partir do ponto em que eu estava parado com Maria. Chegando lá verifiquei que o local estava praticamente vazio. Os animais ainda estavam sendo recolhidos, os pastores ainda estavam no campo. Só encontrei um boi nas proximidades da entrada do estábulo.

- Ei, ei, ô burro, onde pensa que vai? -  disse ele com grama entre os dentes.

- Viemos de Nazaré e essa Senhora está prestes a dar a luz. Meu patrão procura uma vaga em alguma casa ou pousada, mas ninguém quer ou pode recebê-los. Vendo seu desespero, resolvi vir para o estábulo para que, pelo menos, a Senhora possa se acomodar com mais conforto do que teve durante esse tempo todo no dorso de um burro magro.

- Nazaré? Tenho uns primos por lá. Talvez você os conheça: Jamal, Benjamin, Hod, Halmak, Kauffman…. (e continuaria a ladainha se eu não sentisse um forte chute da barriga de Maria na minha nuca)

- Perdão, Sr….

- Simão, disse ele.

- Perdão Sr. Simão, mas a jovem senhora está muito cansada da viagem e, como o meu patrão ainda não retornou, será que poderíamos entrar para que ela descansasse um pouco até que encontremos uma casa para abrigá-la?

- Claro burrico! E deixa essa coisa de “senhor” para os cavalos dos romanos. Com eles é necessário esse tipo de formalidade.Enquanto isso,eu me deitava para que Maria pudesse tomar lugar de forma mais confortável no meio da palha).

Nisso chegou José, ofegante e com os olhos cheios d’água, exclamando que não conseguira encontrar nenhuma casa para acomodar Maria. A Senhora o tranqüiliza e diz:

- Nosso burrinho me trouxe até aqui e, com as dores que sinto, acho que não teríamos mais tempo para nos acomodarmos na casa de desconhecidos ou em pousadas,  mesmo que existissem vagas. Que seja conforme a vontade de Deus.

José acomodou Maria da melhor forma possível, arrumou o estábulo que já estava limpo e, como o Simão -  o boi entrão – não parava de falar de seus primos e primas (contei 40 durante esse tempo) num mugido misturado com irritantes sons de capim sendo ruminado, colocou-nos pra fora do estábulo.

- Mas Zé, meu velho, eu também? Eu tô quietinho aqui. É esse boi que está fazendo barulho. (reclamei com um zurro longo de indignação enquanto era puxado pelo cabresto)

E ficamos os dois lá fora. Eu, apreensivo com a minha Senhora.

Pelas frestas da porteira, eu vi José separar um balde com água e arrumar uma manjedoura com um pouco da palha guardada no estábulo. Meu coração palpitava e praticamente não conseguia mais ouvir as baboseiras que o Simão falava. Só pensava na minha Senhora e no Seu menino. Só lembrava dos momentos da viagem. Só sentia no fundo de minha humilde alma que algo de extraordinário enchia de graça aquela moça tão delicada e simples. Mas…. eu sou um  burro, e, como tal, não entendo dos misteriosos caminhos que Deus escolhe para os seres humanos.

E no meio desses pensamentos, recordações de viagem e novas esperanças, olhando para a cara do Simão que não parava de falar e ruminar, eu ouvi um choro de bebê. Corri novamente para a porteira do estábulo e vi José erguer um menino pequeno e aparentemente frágil que chorava com a força de uma tempestade.

Passados mais alguns minutos, José veio até a porteira do estábulo e, abrindo-a, disse olhando pra mim e para o Simão:

- Nasceu, burrinho. O menino nasceu. Venham vê-lo.

Nem preciso dizer que dei um passo a frente do Simão e fui me colocar junto a manjedoura pra conhecer a criança. O Simão veio atrás falando alguma coisa sobre um vizinho de uma prima que era garçom fenício em uma lanchonete de comida árabe em Nazaré. Mas eu já não conseguia ouvir mais nada. Junto à manjedoura, voltei-me para ver Maria que parecia dormir um sono merecido. José, ao lado Dela, tinha um sorriso mais iluminado que a própria Estrela Guia.

- Schiiiiiiii!!!!! Vai assustar o menino.  -  disse eu em voz baixa, mas de forma firme para o Simão.

Foi só então nesse momento que ele se calou e veio olhar o menino. E ficamos nós dois ali, olhando a criança. Cada um querendo ficar mais perto da manjedoura. Eu sempre dando uma bronca ou outra nos barulhos que o Simão fazia. Ele, querendo retomar a conversa da garçonete casada com o vizinho árabe que tinha um restaurante de comida fenícia  … ou qualquer coisa parecida com isso. Ele mugindo… eu zurrando… José nos mandando ficar quietos, Maria rindo de forma discreta daqueles dois patetas rodando em volta da manjedoura de seu Adorado Filho.

Mas e o menino? Sim, senhores e senhoras. Tenho de confessar para o desapontamento de muitos de vocês que o menino Jesus era como um menino qualquer que nasce todos os dias em qualquer lugar do mundo. Não vi Legiões de Anjos. Não vi o estábulo ser inundado por canções celestiais. Não percebi nenhuma Luz Divina pairando sobre nós. A pouca luz que havia era de um lampião pendurado numa coluna de madeira do estábulo. Era tão pequena e fraca aquela chama, mas iluminava o suficiente para se ver tudo dentro daquele pequeno espaço. Formava-se, com isso, um jogo de luz e sombras que chamava a atenção do menino na manjedoura. Sombras de um burro e de um boi que rodavam a sua volta. E foi então que, brincando com essas sombras, o menino sorriu pela primeira vez. E seu riso era igual ao riso de qualquer criança. Assim como seu choro, ouvido enquanto estávamos do lado de fora do estábulo, era igual ao choro que qualquer pequenino ser humano quando nasce.

E eu, na minha humilde condição de montaria escolhida para carregar uma preciosa carga de Nazaré até Belém, compreendi que o Verbo se fez carne não para ser diferente da carne, mas para fazer com que todos pudessem perceber que toda carne pode fazer seu trabalho para buscar ser semelhante ao Verbo. 

Feliz Natal!!!

PS:  O Gabriel apareceu dizendo que daqui a pouco chegarão uns pastores com umas ovelhas e também uns reis magros (ou magos, não entendi direito) montados em seus camelos. Só quero ver ter lugar pra todo mundo aqui dentro.

- Bem que agora a gente poderia ir para um hotel, hein José? – disse eu.

- Todos nós já ganhamos o maior presente desse mundo, meu querido burrinho.

E ele estava certo
.
  (desconheço o autor)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mês do foclore brasileiro( O poço) lenda urbana)


O poço cheio de mistério (relato)

Aconteceu  quando o casal Hélio e Salete comprara aquela casa na rua Gaspar Coqueiro.

Uma casa já velha, construída nos moldes antigos. Naquele tempo quase não tinha água encanada nos bairros da periferia de São Paulo .Ao lado de fora em frente á cozinha, um poço muito profundo, onde a água era puxada por um motor elétrico, a chave de ligar e desligar era na cozinha.

Começou acontecer coisas estranhas  na casa: primeiro um  pôster desprende dos pregos da parede e vai parar no meio da sala, detalhe, com a casa toda fechada. Salete que era muito corajosa ficou intrigada, mas não assustada. O que não aconteceu quando ela ouviu no meio da noite, o barulho da caixa dágua enchendo, o motor ligado. Perguntou ao marido se foi ele, esse estava dormindo   e respondeu “Tá louca, não está vendo eu aqui!”

Passaram alguns dias... Novamente o motor ligado, ela desligava, alguns instantes o barulho novamente, ela olhava na chave, estava ligada. O marido resolveu trocar a chave do motor.

Mas, vez em quando tornava a ligar o motor, aquilo estava  os deixando nervosos. Resolveram não se importar, parou...Só que passaram a escutar choro de uma criança vindo lá de dentro do poço, primeiro pensavam ser impressão. A dona da casa comentou com os vizinhos, foi dito que também escutavam o choro  ali, sendo que ninguém tinha  criança pequena na redondeza.

 O mistério continuou por muito anos. A água encanada chegou no bairro, o poço foi soterrado com lixos e entulhos, mas, vez em quando ouvia-se aquele choro infantil

Dois filhos, um menino e uma menina do casal nasceram e cresceram naquela casa, porém como eram muito pequenos não se importavam com aquele choro vez em quando...

Um dia uma amiga sensitiva da Salete foi visitá-la, começou arrepiar, antes de ouvir a história do poço, ela falou que a casa tinha algo estranho, que tinha alguém enterrado ali.

A dona da casa assustou-se e perguntou:

como sabe disso?

Eu sinto e é uma criança dentro do poço, ou  foi  jogada, ou caiu no poço!

O tempo passou, casal se separou. A Salete foi quem saiu de casa, os outros ficaram morando lá . No desquite o casal entrou em acordo, a casa ficou para os filhos. A filha casou já grávida, resolveu dividir o terreno e construir uma casa para morar. Depois que teve o bebê, ouvia um choro, corria para vê-lo, este estava dormindo feito um anjo.

sábado, 13 de julho de 2013

A Semente (conto de ficção)


                           


               Um belo dia de sol, mas com um vento sul medonho, subi a Rua João Mota Espezim, apressadamente, pois já estava atrasada para um compromisso importante.

                De repente, vi uma coisa estranha, marrom brilhante, rolando sobre o asfalto, carregada pela força do vento. Não queria parar pelo o motivo já citado e por causa da ventania muito forte daquela de arrepiar tudo. Só que a curiosidade falava mais alto. Resolvi correr atrás daquele objeto estranho.

            Depois de uma carreira doida em zig-zag, finalmente alcancei “aquilo”. Era uma semente grande, com cuidado apanhei com as duas mãos, as fechei  e abri em seguida. Foi tamanha a minha surpresa em perceber que ela tremia e tinha os olhinhos que piscavam para mim.

            Comecei  falando , fazendo-lhe dezenas de perguntas como se tivesse a certeza dela me responder e respondia-me sim com os olhos piscando. Daí tive uma ideia e disse à ela:

Para cada pergunta que eu fizer, se for sim, uma piscada, ser for não, duas piscadas. Ela entendeu com uma boa piscada. Assim num diálogo estranho, diferente,  foi uma forma inusitada de comunicação entre a semente e eu. Assim contou-me sua história através das minhas perguntas e as piscadas de olhos:

            “Eu sou uma semente importante, vim carregada pelo vento, preciso ser plantada, porque a minha espécie estar em extinção. Cortaram minha mãe,o tronco,meus irmãos,os galhos e minhas irmãs, as sementes ,pegaram para artesanato. Somente eu escapei, mas foi carregada pelo vento “.

            Pediu-me para replantá-la, regá-la, cuidar bem para que ela pudesse sobreviver.

            Foi assim que eu entendi e foi assim que a plantei no jardim do Conselho Comunitário. Imaginei que, ela é uma semente especial, filha da árvore que deu o belíssimo nome da nossa mãe pátria. Acredite se quiser.

 

                      Dora Duarte
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