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terça-feira, 17 de abril de 2012

A baratinhosa


               Era uma vez uma barata, que não queria se casar, queria mais era atentar a dona de casa, sabe-se lá do que ela estava sobrevivendo no guarda-roupa, pois não aparecia nada ruído, só cocozinho preto. Vez em quando, depois de uma limpeza, de uma tempestade de spray, numa batalha de sobrevivência, ela quase asfixiada pensava:

      he he he, ufa, foi  por pouco essa, to zonzinha, mas to aqui leve livre e solta! Ai ai, nem me pega, nem me mata!

 Fazia pouco caso da dona da casa...

Certo dia, a dona da casa, do guarda-roupa, resolveu pegar uma caixa baú para rever umas fotos antigas. Quando abriu... Surpresa! Cheio de bostinha, e um friviado (barulhinho) danado, ela tentando se esconder.. .Como? Quase não havia brecha!

A senhora tinha  nojo sim, medo não, foi mexendo devagar para ver se avistava a dita cuja  Mexeu, mexeu e nada!

Pegou o spray à base de citronela, próprio também para barata (assim constava no rótulo), sem dó nem piedade espirrou... Colocou a caixa no chão, mexeu nas fotos e nada de barata, virou  de cabeça pra baixo, nada...



 Procurou-a no chão, nada quando olhou...Surpresa! A barata, nas suas pernas batendo as asinhas, parecia que estava morrendo de rir da senhora.

A dona da casa , do guarda-roupa e da caixa baú de fotos, perdeu a paciência, deu uma sacudida na perna, ela caiu  ciscando de costa no chão , com as patinhas postas, parecia que estava rezando e...

Plaft, chinela nela, foi o único jeito de vê-la dar um último suspiro, com a cara cínica de riso.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Dois corcundas


Era uma vez, dois compadres corcundas, um Rico outro Pobre. O povo do lugar vivia zombando da corcunda do Pobre e não reparava no Rico. A situação do Pobre andava preta, e ele era caçador.
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Certo dia, sem conseguir caçar nada, já tardinha, sem querer voltar para casa, resolveu dormir ali mesmo no mato.
Quando já ia pegando no sono ouviu uma cantiga ao longe, como se muita gente cantasse ao mesmo tempo.
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Saiu andando, andando, no rumo da cantiga que não parava. Depois de muito andar, chegou numa clareira iluminada pelo luar, e viu uma roda de gente esquisita, vestida de diamantes que brilhavam com a lua. Velhos, rapazes, meninos, todos cantavam e dançavam de mãos dadas, o mesmo verso, sem mudar:
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    Segunda, Terça-feira,
    Vai, vem!
    Segunda, Terça-feira,
    Vai, vem!

xxxx
Tremendo de medo, escondeu-se numa moita e ficou assistindo aquela cantoria que era sempre a mesma, durante horas.
xxxx

Depois ficou mais calmo e foi se animando, e como era metido a improvisador, entrou no meio da cantoria entoando:
xxxx
    Segunda, Terça-feira,
    Vai, vem!
    E quarta e quinta-feira,
    Meu, bem!

xxxx
Calou-se tudo imediatamente e aquele povo espalhou-se procurando quem havia falado. Pegaram o corcunda e o levaram para o meio da roda. Um velhão então perguntou com voz delicada:
- Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?
- Fui eu, sim Senhor!
- Quer vender o verso? - perguntou então o Velhão.
- Quero sim, senhor. Não vendo não, mas dou de presente porque gostei demais do baile animado.
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O Velho achou graça e todo aquele povo esquisito riu também.
- Pois bem - disse o Velhão - uma mão lava a outra. Em troca do verso eu te tiro essa corcunda e esse povo te dá um Bisaco novo!
Passou a mão nas costas do caçador e a corcunda sumiu. Lhe deram um Bisaco novo e disseram que só o abrisse quando o sol nascesse.
xxxx


O Caçador meteu-se na estrada e foi embora. Assim que o sol nasceu abriu o bisaco e o encontrou cheio de pedras preciosas e moedas de ouro.
xxxx
No outro dia comprou uma casa com todos os móveis, comprou uma roupa nova e foi à missa porque era domingo. Lá na igreja encontrou o compadre rico, também corcunda. Este quase caiu de costas, assombrado com a mudança. Mais espantado ficou quando o compadre, antes pobre e agora rico, contou tudo que aconteceu ao compadre rico.
xxxx
Então cheio de ganância, o rico resolveu arranjar ainda mais dinheiro e livrar-se da corcunda nas costas.
xxxx
Esperou uns dias e depois largou-se no mato. Tanto fez que ouviu a cantoria e foi na direção da toada. Achou o povo esquisito dançando numa roda e cantando:

    Segunda, Terça-feira,
    Vai, vem!
    Quarta e quinta-feira,
    Meu, bem

O Rico não se conteve. Abriu o par de queixos e foi logo berrando:
xxxx
    Sexta, Sábado e Domingo,
    Também!

xxxx
Calou-se tudo novamente. O povo esquisito voou para cima do atrevido e o levaram para o meio da roda onde estava o velhão. Esse gritou, furioso:
xxxx
- Quem mandou se meter onde não é chamado seu corcunda besta? Você não sabe que gente encantada não quer saber de Sexta-feira, dia em que morreu o filho do alto; sábado, dia em que morreu o filho do pecado, e domingo, dia em que ressuscitou quem nunca morre? Não sabia? Pois fique sabendo! E para que não se esqueça da lição, leve a corcunda que deixaram aqui e suma-se da minha vista senão acabo com seu couro!
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O Velhão passou a mão no peito do corcunda e deixou ali a corcunda do compadre pobre. Depois deram uma carreira no homem, que ele não sabe como chegou em casa.
E
assim viveu o resto da sua vida, rico, mas com duas corcundas, uma na frente e outra atrás, para não ser ambicioso.

 (desconheço o autor)

xxxx

sábado, 3 de setembro de 2011

O rodo na era dos descátaveis

 
É inacreditável  essa história do rodo, na época que nós estamos, na maioria das vezes nada nasceu, criou-se para durar, mesmos os artigos de primeira linha, o caros, os baratos...

Quando não é descartável, nem tudo é duradouro. Eletrodomésticos,eletrônicos, carros, motos etc,tem prazo de validade, o tal “anos de vida”. Necessita de peças para reposição. Não seria diferente, como poderia manter  as dividas fábricas das peças?

No ano de 2000, exatamente no mês de agosto, Bel conheceu  Dinah tornou-se logo boas amigas, uma passou a visitar a casa da outra com freqüência, já que eram muito sozinhas, a família que tinha cada uma, final de semana debandava. Restava mesmo era a cada semana, arrumar a mochila, atravessar a cidade do leste ao sul ir passar sábado e domingo com a novata amiga.

A Bel começou a perceber o exagero de limpeza por parte da Dinah, não achou muito ruim dela se oferecer para fazer uma limpeza no banheiro, bem no primeiro dia que se conheceram, muito pelo contrário, mesmo apesar de está limpo.. A Dinah perguntou a Bel aonde havia um mercado, pois queria comprar algumas coisas, a Bel não achou necessário, já que havia quase de tudo em casa. Mesmo assim Dinah insistiu tanto que a Bel acabou ensinando à ela. Bel ficou em casa  fazendo algumas arrumações .

 Haja Dinah demorar. Bel  preocupada  correu ao portão, viu ela vindo toda carregada de sacolas, Bel deu-lhe umas broncas pelo exageros das compras. No meio daquelas compras um  RODO aparentemente comum, nada de especial, nem ele mesmo sabia  da sua durabilidade.

Passou-se anos e mais anos....Cada uma das amigas mudou-se para cidades diferentes, o rodo que ficou de “herança” para Bel, em total resistência; a água, limpeza, chuva, sol, umidade, mudanças de casas, de estado e ele firme, forte como uma rocha.

Qual seria o segredo? Até quando durará? Que nem euzinha!!!

 ...Muitos onze anos de vida!
   (Dora Duarte)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A BARATA ESPERTA


Quem pensar que muitos bichos rasteiros não são inteligentes, se engana...

Era uma vez uma barata, ela se achava  poderosa,divido uma conversa que ela escutou da resistência que as baratas têm sobre determinados inseticidas e seus antepassados resistir até a bomba atômica.
Vivia rondando uma casa limpa. Mesmo  sendo asseada, ela tinha  a certeza que ali iria achar alguma coisa para se alimentar e levar para o buraquinho para seus filhotes. Quem sabe num descuido, algumas migalhas de comida .

Pensava o que fazer para entrar na casa ,já que nas janelas haviam telas, a porta vedada, nos recantos não havia brecha, mesmo assim, ela ficava à observar os movimentos da casa.
 Daí, num descuido de uma janela aberta sem a tela, ela voou, voou  e...
Catabimba!!!! Para o seu desespero, caiu dentro de um vaso sanitário.
Esperneia, esperneia, tudo molhado liso, escorregava...Quando escuta um grito de pavor:

_Aiiiiiiiiiiiiiiiii que horror! Uma barataaaaaaaaaaaaaa no meu banheiro, me acuda!!!!”
Era a dona da casa, gritava não se sabe pra quem, já que só existia ela na casa.
 E saiu as carreiras.Nisso a barata com o susto do grito conseguiu dar um pulo e caiu fora do vaso sanitário.

 De repente viu  a dona da casa que tinha gritado, mais que depressa, a barata vendo ameaçadora uma enorme lata de spray, com a foto dela estampada , tratou logo de fingir de morta, ouviu então a dona falar...”Ah danada, morreu depois de beber tanta água no vaso né? Vou te jogar na cesta do lixo, embrulhada num papel higiênico!”

A barata apavorada nem respirou, nem mexeu suas pernas, nem suas antenas, sentiu-se como uma múmia em volta no papel higiênico.Foi parar mesmo no lugar prometido pela dona da casa, na lixeira do banheiro.
 Passado alguns instantes, ela esperneou, roeu o papel e saiu toda faceira, deu uma volta pela cozinha, achou alguns farelinhos de pão no chão, saiu sem dizer nem um” muito obrigado”    e..                  “ Fuii !!!”
 A dona da casa quando voltou ao banheiro, incrédula, olhou na lixeira...”Cadê a barata morta que estava aqui?”                                             

                                                                                                        (imagens do google)

                                                      Dora Duarte.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os últimos pau de arara (final)

                                        Parte lll  final
O Tio reclamando com ele, porque não queria perder aquele tão esforçado ajudante:
    
           __Tio José, o senhor arranjará outro até melhor que eu! Acho o que eu já trabalhei  deu para pagar o que lhe devo não é?
          Ele balançando a cabeça negativa respondeu: __duvido, não é sempre que arrumo ajudante responsável. Sim claro! Ainda tens um pouco para receber, mande para a sua mãe!
         __ vou mandar sim, mas quando receber o meu primeiro salário, esse foi quebra-galho!
         __Ah seu mal agradecido, que dizer que isso não era emprego! Riu.
         __Sim claro tio, eu não quis dizer isso, foi muito bom o senhor te me ajudado.

               Começou a trabalhar com muito desempenho, fazia de tudo ali, metia as mãos na massa, lavava salão, recolhia lixo, cuidava das mesas, servia no balcão,andava sempre com uniforme branco impecável, era muito eficiente. O gerente  passou a gostar do jeito dele e cada dia que se passava, mas aumentava a confiança nele.
      
              O primeiro ordenado, conforme prometera, tirou uma parte para as suas despesas, e o resto mandou pelo o correio para a sua mãe dar de entrada numa máquina de costura de pedal. Um mês após estava recebendo uma carta da sua mãe agradecendo a ele por tudo e lhe abençoando, pediu para que ele procurasse aprender uma profissão e voltar, era difícil para todos da família ficarem longe dele. Já que eram muito unidos
 Nem sempre as folgas dos amigos caíam no mesmo dia.Quando acontecia raramente,               os três se reuniam para pegar um cinema ou mesmo jogar uma pelada. O Genésio foi logo que arranjou uma namorada, estavam morando junto falando em casar breve. O João Batista estava morando numa pensão no centro e o Brás pensando fazer o mesmo, já que tinha chegado uma nova remessa de conterrâneos na casa do seu tio José, Seu tio sempre acolhia pessoas recém-chegadas, eram os primeiros a vir no novo meio de transportes, a marinete.

                  A solidão se apodera do Brás de jeito, já que passou a morar sozinho num quarto de pensão no centro, perto do Parque D.Pedro.Sofreu muito na época de frio, esteve muito doente com começo de pneumonia, a dona da pensão  o levou  no pronto-socorro, ela se preocupava muito com ele, pois era um bom rapaz. Depois de uns dias ele melhorara bem
                 . Começou a se apossar dele uma saudade imensa de casa, pegava a sua gaita e tocava, procurava tocar músicas alegres, mas nem assim abrandava o sentimento de ausência familiar, sentia desolado, talvez por causa da falta dos amigos conterrâneos. Pensou,”.vou sair por aí e arranjar uma namorada”. E arranjou uma.
          
                 Conheceu A Maria das Graças no Parque da Luz, era uma pernambucana, também fazia pouco tempo que estava  ali na capital, trabalhava de doméstica, namoraram por um bom tempo e um dia sem mais nem menos ela termina com ele. Sofreu, mas pensou, melhor assim depois teria que voltar e a separação seria  bem pior.
             Passou-se alguns anos, ele adquiriu algumas profissões: de confeiteiro, balconista, garçom, motorista já com carta na categoria maior profissional.
            Seus amigos casaram-se, ele não, precisava voltar conforme tinha prometido a sua mãe. A saudade era tanta havia já passado cinco anos. Resolvera voltar

            Enquanto isso, em Pitombeiras, a ansiosa espera da família. D Rosário já com os filhos crescidos o pequeno com seis anos completo “aperriando”[pertubando]a mãe com várias perguntas:
                   __ mamãe como é o meu irmão Brás?
                   __ Um ótimo rapaz, bonito, muito inteligente, moreno parecido com o teu pai
                   __ Ele ficou rico? Ele vai trazer um brinquedo para mim ela vai chegar quando?
                   __Pára Adalberto eu não sei de nada! Só sei que ele vai chegar breve, mas só saberei o dia certo se ele vai mandar telegrama, mas por outro lado , se o  conheço bem , acho que ele vai fazer surpresa!

                  De fato a D. rosário acertara. Brás não mandou telegrama estava voltando a sua terra natal, passando pelos os mesmos lugares, tudo diferente, agora avistava as lavouras, casas, gado, quintais  tudo pela janela da marinete, pagara caro a passagem, mas o pau de arara estava extinto.e mesmo que não estivesse, ele preferiria o meio de transportes mais moderno, pois tinha dinheiro o suficiente para isso e menos dias de viagem, menos de o dobro dos dias que a pau de arara levava.
                  As rodovias eram as mesmas, mas modernizadas. A bagagem não era mais uma maleta, nem um saco e sim três malas gigantes e alguns volumes.Não estava rico como o caçula pensara, mas ganhara dinheiro suficiente para montar o seu próprio negócio. Queria ver alegria nos rostos dois irmãos do pai e da mãe. Para cada um deles alguma coisa especial, até a gaita era nova, mesmo assim guardou a velha. Vez em quando tocava um pouco no caminho, não as canções antigas, e tristes, mas alegres, tais como “São Paulo quatrocentão” de Mário Zan, “Rapaziada do Braz” e” O baião da serra grande”  agradando os passageiros companheiros de viagem. com vivas e assobios para a felicidade do Braz. O motorista anunciou á ultima parada, pois faltavam apenas 3 horas para chegarem. Num restaurante de beira de estrada todos desceram, tomaram o café da manhã. Ele aproveitou e tomou um banho rápido, precisava chegar trocado, limpo e perfumado.

             Era domingo, todos haviam ido á missa pela manhã, estavam tomando café quando ouviram uma buzina de um Ford carro de praça. A rua lotada de gente,  era raro um carro assim na porta de uma casa pobre, ainda mais daquela família tão humilde. Todos correram para calçada surpresos incrédulos. Desceu Brás com calça de tergal de vinco, uma camisa de linho branca, sapatos pretos brilhantes, cabelos  feito um topete com brilhantina e óculos escuros:
              __Mamãe não está me reconhecendo? Eis aqui o teu filho de volta ao lar!

              __Meu filho me dê um abraço! Como estais bonito e robusto! Nem parece aquele franzino rapaz que saiu daqui!
              __Papai venha cá também, depois abraçarei um por um dos meus irmãos!
              __ Meu filho como tu mudaste ficou um homem graúdo e elegante!
    
                 E assim foi abraçando com ternura a cada irmã, cada irmão, colocando o caçula no colo falou:

                          
                 __E  tu, já és uma rapazinho, já ajuda a mamãe?
                 __Sim Brás, tu és que nem eu imaginava, muito alto!
                       Ele começou a abrir as malas e distribuir os presentes para a família toda
                        Para a mãe, enxoval de cama mesa e banho vestido e sapatos, para o pai um rádio de madeira. um despertador e um relógio de bolso, para as irmãs e irmãos maiores, roupas , calçados e perfumes.Todos agradeceram
                 O seu irmão encostado a ele foi logo dizendo: __Quero ir para S.Paulo também!
                 __Nada disso tu vais trabalhar comigo, nada de ir para lá, já temos como sobreviver aqui ta? Disse o Braz.           
                __Adivinha o que te trouxe para o meu mano caçula? Uma roupa um par de sapatos e um ônibus de brinquedo!
                   __Oba, eu nunca tive um desse, só brinco com carrinho de madeira e bola de meia!
                  __  Meu  filho em nome de todos eu agradeço por tudo, mas não precisava exagerar já que tens que montar o teu próprio negócio!
              
                      __Não se preocupe, tenho economizado todos esses anos para isso, e Deus me ajudou muito!
                      __Claro, desde quando cumpriste a promessa, de mandar o primeiro ordenado, para comprar a máquina de costura, Deus te recompensou muito!E vai recompensa-lo por toda  vida.
                     Assim o Brás montou seu próprio negócio, prosperou muito fazendo aquilo que ele mais gostava, pães e doces, numa belíssima padaria sem igual concorrência.
                 

                           FIM.

             

                                          Dora Duarte

domingo, 1 de maio de 2011

Os últimos pau de arara (parte ll )


                                           Parte ll
_Reze muito assim como eu vou rezar e que Deus te acompanhe e te faça muito feliz. E não esqueça de estar sempre me mandando notícias!


                 Estrada longa empoeirada, sem fim, sol ardente.Nas primeiras horas de viagem o silêncio dos “paus” de arara era quebrado pelo o ronco do caminhão, que parecia um gemido.Iam ficando para trás, primeiro terras infértil,  gado magro, casas de palhas, ou de   taipas, casas de reboco mal  caiadas faltando um pedaço, com meninos barrigudos nos terreiros embranquecidos , mulheres sentadas na porta de sua casa, catando piolho na cabeça de sua filha. Cenário triste de um povo sofrido e castigado pela seca. Depois a paisagem muda para vastos canaviais.

              De repente o silêncio é quebrado pela freada do caminhão para que todos desçam para o almoço coletivo, feito na sombra de um arvoredo, ou debaixo do caminhão. Cada um abriu seu saco, comeu primeiro a farinha com a carne assada, poupando para que desse para os dez dias ou mais de viagem, trocaram uns com os outros , rapadura, doces e assim foram- se familiarizando e se tornando unidos com os mesmos ideais na cabeça, uma nova vida!
          
             Novamente o caminhão pegou a estrada. Começaram a conversar entre si, o Braz tirou a gaita da sua mala e começou a tocar, sabia várias músicas alegres, mas não sabia porque lembrou naquele exato momento das canções que sua mãe cantava no roçado e dos assobios do seu pai, um nó na garganta  uma saudade lhe fez tocar elas, doeu mas conseguiu!

             Anoiteceu, só  avistaram escuridão, todos ali já estava ciente que dormiria como pudesse, pois as pensões de beira de estrada eram caras, ninguém ali podia pagar.

Uns deitaram em cima da lona, outros armaram redes debaixo do caminhão e foi lá que os três amigos se alojaram, só o João Batista tinha levado rede.Eram os mosquitos picando, um sono inquieto, mas vencido pelo cansaço abavam dormindo.


     Assim foram dias e noites de sofrimentos. Atravessando vários estados do nordeste, cruzaram o rio S.Francisco, entre Alagoas e Sergipe, enfrentaram chuva, sol e vento. dias quentes, noites frias principalmente na região de Minas Gerais  primeiro estado do sudeste a passarem rumo á S.Paulo.

                 Finalmente, depois de cruzarem o estado da Guanabara, chegam no estado de São Paulo. O  caminhão pau de arara parou,  como de costume toda vez que ia e vinha, na cidade de Aparecida, para todos visitarem a igreja de N.S. Aparecida padroeira do Brasil, não poderia deixar de visitar a cidade de grande romaria pelos os brasileiros devotos da padroeira. Foram momentos de devoção e oração, assistiram a missa, todos almoçaram aquele resto de farinha e carne já velha, mas ainda dava para alimentar, outras comidas tinham acabado, teria que agüentar, que poupara ainda tinha sobrando, quem não estava por fim.

            Chegaram na maior metrópole do país, olhos espantados em todas direções, não podia imaginar como seria a vida naquela imensidão de prédios, casas, carros indo e vindo.
 Desembarcaram numa praça no Bairro da Luz, onde o tio do Braz os esperava.

            __Até que enfim não é Braz?
            __A bênçâo tio José
             __Deus te abençõe, nem preciso perguntar se fez boa viagem, já sei como é horrível, porque passei por tudo isso!
            __É mesmo, estamos moídos. Trouxe os meus amigos para tentar também nova vida aqui, podes os abrigar na sua casa,  por um tempo provisório?
           __sim claro, a casa é pequena, mas o coração é grande!
           __Vamos lá, vamos  todos no meu caminhão que está estacionado do outro lado da praça ,quero dizer no que estou trabalhando , caminhão de frete, já estou  juntando dinheiro para comprar o meu próprio, só estou precisando de um sócio, quem sabe tu arrumas um emprego logo e me ajudas a pagar?
           __Sim tio com certeza!

             Bairro da Lapa era lá que o seu tio morava, numa casa geminada de uma vila muito. Moravam juntos, a mulher e dois filhos paulistinhas, pequenos um de três anos e outro de quatro. A casa só tinha um quarto, uma cozinha e uma sala grande, era lá que os três amigos iriam dormir, em redes.

                 Descansaram dois dias e logo foram procurarem emprego com ajuda do seu tio.Chegaram no centro, próximo avenida S. João, olhos atentos e admirados ao ver tudo aquilo, olham para cima dos arranha-céus, atravessam ás esquinas medrosos de serem atropelados, visitam praças, seu tio com uma câmera fotográfica que já tinha adquirido tirou fotos nas praças e ruas, visitou a galeria Preste Maia, aonde aqueles matutos assustados, tentaram e conseguiram subir naquela escada rolante, O João Batista quase desequilibrou e rolou de ponta cabeça, se não fosse o apoio do seu José que já havia se acostumado. Ele fez todo aquele percurso, para eles aprenderem as mesmas coisas que ele tinha aprendido.O próximo passo dos novos emigrantes, era procurar emprego no centro, nos bares, ou restaurantes, era o comércio, que mais empregava de imediato, ou então a construção civil. Eram os nordestinos que ajudou S.Paulo crescer de tamanho e altura, com a sua mão-de-obra mesmo sem qualificação.
                   Logo os três aprenderam a andar de ônibus do bairro da Lapa ao Centro da cidade. Um a um foi conseguindo um emprego. Quem apresentou os dois aos respectivos empregos, foram os visinhos de seu José que trabalhavam lá e arranjou para  eles. O João Batista no restaurante  Sopão a tradicional sopa da rua  S. João, o Genésio, numa lanchonete próxima, o Braz estava sendo ajudante de caminhão junto com o tio,mas não queria aquilo, queria uma profissão  que lhe desse futuro e pudesse um dia voltar e montar um negócio.Estava com o tio provisoriamente, até poderia fazer sociedade na compra do caminhão, mas só entrando com o dinheiro.
             
              Um belo dia quando fazia entrega de um frete de farinha de trigo numa grande confeitaria, dessas que serve chá da tarde, bufet e rotisseria  viu uma placa “Precisa-se de ajudante geral”. Não pensou duas vezes, entrou lá para se identificar e dizer que estava interessado. Saiu todo contente quando o gerente falou para ele no dia seguinte cedo, vir até ali. Saiu muito contente até assobiando...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS ÚLTIMOS "PAU DE ARARA" (conto relato em lll partes

                                      Parte l


Brás era um rapaz cheio de sonhos, morava na cidade de Pitombeiras, numa região muito seca do Nordeste. Pouco se plantava, o solo era árido, o sol  castigava as poucas plantações e o gado magro que se alimentava  da única planta resistente, o cacto,a água salobra nos açudes quase secos e até que a chuva voltasse, o povo sofria, sem trabalho,a colheita que os alimentavam, estava acabando, mas não perdia a esperança.em Deus  das coisas dali melhorar.
                     O Braz não pensava assim, não poderia esperar que Deus mandasse chuva suficiente, para haver mais prosperidade, esperar que tudo caísse do céu. Teria que fazer a parte dele, sair dali. Sabia que o mesmo Deus dali era o mesmo das cidades grandes, mas parecia que Ele olhava mais para o outro lado. Por intermédio de amigos e parentes que tinham ido lá para as bandas do Sudeste do País, soube inclusive que seu tio José de Arimatéia   já estava trabalhando em São Paulo,exercendo a profissão de chofer de caminhão.ele prometera através de uma carta , ao sobrinho, ajudá-lo a arranjar um emprego.
                  Daquela cidade, que nada havia para oferecer, ele já não tinha esperança, nem de ajudar á família e nem a si mesmo. Vivia de biscate, uma hora era mascate, vendendo de porta em porta:sabonetes, perfumes, aviamentos, meias...Porém, o lucro era pouco. Ás vezes acordava bem cedo para vender  tapiocas, cocadas, na estação de trem.Precisava ajudar aos pais, era o mais velho, o décimo de uma família de seis mulheres e quatro homens, encostado a ele só o irmão de quinze anos que ajudava o pai na lavoura, depois as mulheres e por último, os dois pequeninos, o caçula de um ano e quatro meses e o outro de dois meses ainda de colo.
                      . Brás ainda era de menor, estava perto  de completar maioridade, por isso  o seu pai Emanuel pediu que ele esperasse, para  apresentar se primeiro no exército,tirar a carteira de reservista e se liberado ,sim ,poderia viajar.


                    Ele olhava para a mãe Rosário, numa máquina de costura de mão, às vezes costurando á noite sobre à luz da lamparina, trabalhava fazendo calças e camisas de homem para um feirante que tinha uma barraca  na feira,ganhava por produção. Pensava e prometia logo em seguida:

                 ─ Mãe se eu for para São Paulo e conseguir logo um emprego, o meu primeiro ordenado, é para a senhora comprar uma máquina de costura de pedal nem que seja a prestação! Isso é uma promessa viu?
                ─ Ta meu filho, que Deus te abençõe e os anjos digam amém!
  
                 Quando era época da colheita da principal plantação, a mandioca, somente os maiores de casa iam, ajudar a arrancar, carregar os caçoais do jumento para fazer farinha. Seu pai alugava uma casa de farinha para a tradicional “farinhada” era uma semana de trabalhos coletivos.
                  Quando era para semear, milho, feijão,  maniva da mandioca e rama de batata doce, D Rosário deixava as suas costuras para fazer á noite e iam todos da família, inclusive os pequenos.  Ele gostava de ver a  alegria da sua mãe, apesar de tanta dificuldade, sorrir, e cantar umas cantigas que ele nunca  esquecera, principalmente quando ela estava no roçado.Sua mãe deixava os pequeninos brincando debaixo da sombra de um juazeiro, com uma cabaça de água barrenta e salobra, para eles beberem quando sentisse sede.Ao comando  dos maiores os incentivavam a plantar com alegria

Ele não, era carrancudo, sério, não conseguia sorrir presenciando tudo aquilo, ainda mais quando ouvia a mãe cantar apesar dela parecer feliz ,cantava canções tristes:

Sentia um nó apertado na garganta e pensava, Onde será que  a sua mãe tinha aprendido aquelas canções tão triste? Não ousava lhe perguntar, achavam bonitas, porém muito melancólicas e trágicas. Não era só a sua mãe, o seu pai também, assobiava  “Asa branca”, “Triste partida”,”Assum preto” eram canções tristes de Luís Gonzaga.
             
           Pensou, será que aquele povo habituou a conviver e gostar daquele tipo de canções que falavam em tragédias? Sabia que existiam, outras canções alegres e até assoviava vez em quando alguma, mas não sabia cantá-las.dando-lhe alento aos  pensamentos arredios.

              Brás tinha dois amigos muito chegados a ele. Os dois com os mesmos objetivos em  comum , o sonho de ir embora para S.Paulo. João Batista de dezenove anos, companheiro inseparável, era seu vizinho, tinha estudado na mesma escola. e o Genésio de dezoito anos, que ele conheceu  nas farinhadas que o seu pai vez em quando contratava por uma semana para ajudar, era o forneiro que secava a farinha, ensacava para  depois ser vendida na feira pelo o seu pai. Eram todos muito unidos, jogavam uma pelada no único dia da semana que respeitavam e não trabalhavam, o domingo.
  
             Final da década de50, ano de 1957 foi um ano de muita seca. Brás e seus amigos já tinham sido dispensados do exército, adquirido a carta de reservista e estava esperando a resposta, de uma carta que tinha sido enviada, endereçada ao  seu tio José de Arimatéia.

              Nos últimos meses tinham sido crítico, nem conseguia vender, os objetos pela as portas ninguém tinha dinheiro. Os seus amigos a mesma coisa, tudo sem ter o que fazer, esperando também ajuda de parentes do de S.Paulo:

          Estava conversando com os amigos quando ouviu seu irmão Adalberto correndo em sua direção com um envelope verde-amarelo nas mãos:


             ─ Olha mano o que chegou!
              ─ Tomara meu Deus que seja boas notícias! Os amigos em volta querendo saber também., ele abriu o envelope e já deparou com uma foto do tio pousado na frente de um caminhão. Sorriu, coisa rara, e os amigos  torcendo:
              ─abre e leia logo essa carta homem de Deus!

              ─Ta, calma vou ler , e começou abrindo mais o sorriso e pulando diz:

              ─eu vou para S.Paulo! Tio José vai me emprestar o dinheiro da passagem!
               Todos gritaram: ─Ora viva!
                ─ Que bom, disse João Batista, o meu padrinho prometeu também emprestar, disse-me que ia vender uma bezerra para a minha passagem. Assim poderemos ir juntos.
             
                 Só o Genésio ficou calado, cabisbaixo:
                   ─ que foi amigo? Perguntou o Brás.

                   ─ E se os meus primos que moram em S.Paulo não me mandar o dinheiro da minha passagem á tempo?
              
                    Brás e João Batista responderam simultaneamente:

                                     ─ a gente  espera!



             De fato, assim  fizeram. O padrinho do João Batista vendeu a bezerra, e já lhe passou o dinheiro, o tio do Brás, já tinha mandado o dinheiro pelo  o carreio para o sobrinho. Faltava  o Genésio.

          O Brás que sempre estava em contato com as pessoas que iam e vinham, para o Sudeste, ficou sabendo de uma notícia que o preocupou. O “Pau de arara” estava com os dias contados, era o único meio de transporte barato, seria muito breve substituído por “marinetes”  e o preço dobraria.
            
              Marinete, era  um pequeno ônibus com a frente parecendo uma boléia de caminhão com o bagageiro em cima e com uma escada de acesso.Na boléia era  reservada para a rara presença de mulheres e crianças e quando não ia, a vaga era preenchida pelo o ajudante. Seria mais confortável que o pau de arara. Esse pau de arara ,era um caminhão com bancos laterais feitos de madeira,  uma corda esticada no meio para apoio ou quem quisesse segurar e ir em pé e uma lona para cobrir em caso de chuva.O pau de arara,  ficaria somente para outros meios de transportes como: pequenos passeios, fazendas, feiras, comícios, bóias-frias,carregar eleitores em épocas de eleições e romarias.
O Brás correu e deu a notícia para os amigos e familiares, seu pai  o aconselhou  ir logo:
     
         mas pai eu e o João Batista prometemos esperar o Genésio.
         Se esperarem por ele, nenhum vai conseguir ir com tão pouco dinheiro chegar á São Paulo!
         ─ Espere, vou ver se arrumo  o dinheiro emprestado com a prefeita da cidade, eu ia mesmo pedir para  ti, se o seu tio demorasse um pouco mais! Ainda não fale nada a ele. Estou indo.
       
          D. Anita era a prefeita do lugar, muito querida pela a população. Era uma criatura caridosa.Todo o povo do lugar acreditava que ela não fazia aquilo com interesses políticos, independente de ser época ou não de eleição, ela estava sempre ajudando um ou outro dependendo da necessidade. Até mesmo como conselheira, quando alguém estava com problema pessoal ou social. Bastava esperar na fila..

        D Anita recebeu o seu Emanuel e também atendeu o seu pedido. Disse que falasse para o Rapaz que não tivesse pressa em pagar, se arranjasse primeiro lá em São Paulo.

         Seu Emanuel chegou com o dinheiro e já foi falando:

         ─ Está aqui, Braz vá chamar o seu amigo e tratem de arrumar as malas, pois pau de arara é só uma vez por semana, e já fiquei sabendo das notícias novas, a partir da próxima semana a marinete vai começar a rodar para o Sudeste do Brasil.
    
              D. Rosário chorando e ajudando ao filho á arrumar  mala ,  fazendo mil recomendações:
          
              Meu filho tenha cuidado com o frio, eu ouvi dizer que lá garoa muito e a temperatura é muito baixa, tu já tens problemas com sinusite, assim que tiver trabalhando, compre logo blusa de frio e que Deus te ilumine e abençõe o teu trabalho, teus passos, tuas  companhias, teu tio e família!
     
             ─ Ta  mãe, eu prometo que vou me cuidar, mas a promessa que eu fiz é do meu primeiro ordenado, mandar para a senhora  comprar uma máquina de costura de pedal.

              Chegou o grande dia, dia da despedida, hora da separação, todos os vizinhos e parentes na calçada da rua despedindo daqueles três jovens sonhadores que iam para longe dali em busca de dias, meses e anos melhores.

           Chegaram  ao centro da cidade onde o pau de arara já estava quase lotado, cada um carregando uma mala e um saco de comida. A viagem era longa, dez dias, isto é se o caminhão não desse o prego.  Era  estrada de chão, muita poeira se não chovesse e muita lama se Deus mandasse aquele bem tão precioso que faltava na sua terra.
           
              A bagagem que a mãe do Braz preparou com muito carinho e  os olhos marejados de lágrimas estava arrumada assim: Na mala: 3 calças, 3 ceroulas, 2camisas mangas curtas 2 de manga comprida, sabonete, pasta de dente,brilhantina, um pente, um lençol. uma toalha feita de saco de açúcar e uma  gaita de boca que ele gostava de tocar.. No saco de comida havia: uma colher, uma faca, muita farinha  de mandioca seca, carne de sol assada, uma lata contendo um doce de jaca que ela fez especial para ele levar, rapadura , alguns beijus secos e bolachas.
             Dos seus amigos, a mala ele não sabia o que levavam, certamente quase as mesmas coisas . No saco quase tudo igual, só o  João Batista levava algumas coisas a mais, uma lata de goiabada, um queijo de coalho doado pelo o padrinho dono de gado da região e alguns cocos  secos e verdes sem as cascas.

           Hora da partida, era muito chororô, parecia que estava saindo um enterro, menos o Braz que era duro em chorar, chorava por dentro em ver a mãe em prantos. Parte o pau de arara, todos acenando com as mãos, mas antes da saída D. Rosário, o entregou um terço e disse:
            Continua...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Os fazendeiros


Era uma vez um fazendeiro rico, sua fazenda era próspera, muito gado, muitos pés de cacau,  um cafezal imenso, tinha um pomar que era um encanto. Havia na fazenda: goiabeiras, jabuticabeiras, mangueiras,laranjeiras, não para vender, somente para consumo próprio e de certo de  enfeite..
Alguns problemas afetam uns fazendeiros ricos, acham que têm tudo aquilo porque plantou  e era assim que este fazendeiro achava” plantei por isso tudo é meu”!

Quando algumas crianças invadiam o pomar, para pegar algumas frutas para comer, ele ameaçava com uma espingarda,muitas vezes pegavam as crinaças trepadas na jaboticabeiras, dava tiros pra cima para assustar. Nem dava, nem deixava comer, as frutas desperdiçavam, apodreciam, mas ele não  não davam nada nem ao vizinho ao lado da cerca que era outro fazendeiro.

Este era mais pobre que ele, pois acabara de construir a sua pequena fazenda,  algumas criações: galinhas ,porcos, umas vacas de leite. Vivia de vender ovos, galinhas, uns queijos que fazia e de vez em quando  matava um porco, vendia parte  dele para as despesas de casa. Seu pomar era pobre, ainda era mudas enxertadas, quase nada dava, tinha uma filharada e muitas vezes, viu o fazendeiro rico da carreira nos filhos, por causa das frutas..  Ficava triste, mas não concordava com atitude dos filhos, chamava atenção deles para não cobiçar o alheio...mas, sabe criança como é...Até certos adultos são assim.

Teve uma idéia:

Todos os dias pela manhã ele levantava as mãos para o céu e agradecia abençoando toda a fazenda em especial ao pomar, assim;”

“Graças a Deus, por tudo o que tenho e o que é meu é teu!”

 O rico observando aquele ritual que o fazendeiro pobre fazia diariamente, começou a agradecer o que era dele.
 “Graça a Deus pelo o que eu tenho que é somente meu!”

O pomar do fazendeiro pobre começou a desenvolver rápido, logo na época das frutas começou a brotar e dar frutos em abundância para alegria da filhada dele,. Quanto mais aumentava a sua produtividade em toda fazendinha, mais ele agradecia com a mesma prece.
O fazendeiro rico também, mas pelo o contrário, por causa do seu egoísmo, até na hora de agradecer (tudo meu). Deu uma praga no pomar, muitos frutos mirrados, bichados, quase não dava frutos bons.
Certamente não foi um castigo de Deus e sim um alerta para ele entender que nem tudo o que ele tinha era dele, nem tudo é para se vender, fartura foi feita para dividir gratuitamente, isto se cham CARIDADE.

                        Dora Duarte

sexta-feira, 11 de março de 2011

Quem colocou o ursinho "peludo alí?

                    
Ninguém mais morava naquela casa, somente a solitária d Isadora. Era uma senhora muito apegada com seus sobrinhos que moravam nos fundos da sua casa. Em especial o Cadu, por ser  muito brincalhão, meio palhaço, meio menino, meio adolescente. Era ele o braço direito da d Isadora; era muito ativo e prestativo, para recados, para mandados, para arrumar uma antena quebrada lá estava o Cadu trepado na laje da casa da sua tia. Era ele que quando começou aparecer vídeo cassete,a tia  ganhara um do seu filho que morava longe de casa. Cadu aprendeu logo á gravar, reproduzir, arrumar a imagem da tv, tudo o menino mais que esperto arrumava, era o xodó da tia, não era somente sobrinho, era também afilhado dela.

D Isadora colecionava bonecas e também tudo relacionado a brinquedos, quando ganhava, guardava com carinho. Um dia trabalhando numa casa como motorista,  ganhou um monte de presentes de uma das filhas da patroa, ela desfez devido ser presentes de um ex-namorados, deu á d Isadora. Era um monte de bichinhos de pelúcia; cachorrinhos, gatinhos, ursinhos, sobras de perfumes, caixinhas de música e por aí vai...

Como ganhara dois ursinhos iguais, resolveu dar um ao afilhado sobrinho Cadu, esse apesar dos seus dez anos adorou o ursinho, logo disse “vou chamá-lo de peludo”. Cresceu grudado naquele ursinho dormia abraçado a ele,ficou rapazote de quatorze anos, mas nem assim deixou de lado o peludo, ai de quem o pegasse e zoasse com ele, virava uma fera.

No ano de noventa e quatro exatamente aos dezesseis dias de dezembro, ele se foi para o andar celeste, morreu quase de repente, devido uma queda de skate, escondeu da mãe o acontecido,queixou-se somente de uma dor de cabeça imensa, a mãe levava no hospital, era só medicamento para a dor. quando os médicos diagnosticaram um tumor coagulado no cérebro, já era tarde.
Que dor! Que perda irreparável para os familiares e amigos, principalmente para a mãe que só tinhas dois filhos e para a tia madrinha. Desesperada, inconformada, sentiu muito, chorou muito. No dia do enterro olhava para o céu e chorava, parecia vê-lo rindo acenando com a mão.

Passou-se um ano da morte dele.Sua mãe guardou os seus pertences, inclusive o peludo D Isadora sempre  na lembrança, era uma lembrança que iria guardar por vida, mas a vida continuava na sua normalidade.

Ela costumava arrumar suas bonecas e seus bichinhos de estimação, inclusive o “irmão” gêmeo do peludo em cima de um baú de madeira de frente para sua cama. Casa arrumada, casa fechada, pois ela quase não parava no seu lar, ora no trabalho, ora na casa da família.

Um certo dia,chegou em casa, abriu a porta, jogou a bolsa como de costume na mesa da sala e foi para o quarto, acendeu a luz e o que viu...?!
Espantou-se,  tomou um susto,chocou-se... Como? Como pode ter acontecido aquilo?
Seria  imaginação? Não!!!

 Lá estava no chão no meio do quarto, sentadinho como estava no baú,o ursinho irmão gêmeo do peludo,
                                             ( Dora Duarte)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Maria de José ( Uma história de amor )

    



Maria foi criada com muita dificuldade, muito comum naquela hoje em dia e antigamente mais ainda   interior numa Aldeia distante de tudo....
 Logo cedinho,  quando  acordava  cuidava da criação de cabras, tirava do pequeno curral e levava para o pasto, voltava para  tratar das galinhas e por último cuidar com carinho dos seus irmãos mais novos, já que quase  todo ano nascia um na casa, sempre tinha um bebê de um ano e uns meses, carente de colo precisando dos seus cuidados.

Pouco tempo sobrava para os estudos e as brincadeira, mas quando sobrava...O que Maria mais gostava, era desenhar vestidos no chão do quintal, criava modelos próprios, era uma imaginação fora do comum para uma menina de onze anos, sem conhecer o mundo lá fora, sem acesso a nada sobre moda. Depois costurava para as suas bonecas de pano e de sabugo de milho. Sua mãe tinha máquina de costura manual, mas tinha um ciúme, nem deixava a filha chegar perto . Tudo o que ela queria era aprender a costurar na máquina, porque não mão ela aprendera sozinha, mas a sua mãe não ensinava, já que ela era a mais velha dos irmãos, suas tarefas caseiras teriam que ser cumpridas. Cuidar das criações da casa e dos irmãos pequeninos.

 Escola ela só freqüentava para aprender o básico, as letras do alfabeto e escrever seu nome. Seu caderno de deveres de casa  era o chão, o lápis, os dedos das mãos, ou um graveto.

Crescera assim, rústica, mas com o talento para costura...

Certa vez, um cavaleiro surgiu como de uma nada, veio galopando em direção à frente do casarão aonde Maria morava, chutou sem querer todas sua lições da escola e seus desenho de vestido,suas “obras-primas” ela o encarou calada, mas com tanta raiva!

─ O que vosmecê  quer aqui?
─Falar com o seu pai, ele está?
─Ele ainda não chegou da roça, mas está para chegar!
─Eu vou esperar aqui sentado no alpendre, continue a fazer o que estava fazendo.

 Ele a olhou com uma admiração, um olhar diferente.Ela correspondeu, mas não com o mesmo olhar, ainda raivosa pelo o que ele fez.

─ Meu nome é José ,tenho visto vosmecê aos domingos sempre nas missas e nas novenas, Como vosmecê se chama?
─Maria, mas não me lembro de ter visto  vosmecê!
─Claro, vos nem olha para os lados!
─Lá vem o meu pai, deixe de prosa!

Seu pai conversou com ele como já se conhecesse há muito tempo. Chamou  José para dentro de casa e Maria entrou para cozinha, ajudar a sua mãe na janta.
Sua mãe perguntou quem estava na sala, ela  descreveu o rapaz e disse só o nome.
Sua mãe deu uma olhada na sala, foi cumprimentá-lo, voltou e comentou:
─Ah eu sei quem é, é José, um rapaz muito bonito, cobiçado muito pelas moças daqui. muito garboso e educado.
─Mãe, o que será que ele veio fazer aqui?
─Não sei Maria!

Ela ficou impressionada com o que sua mãe contou, também curiosa, para ver aquele rapaz novamente, nem que fosse de longe.

Era dia de novena de Santo Antonio na  capela do lugarejo, Toda a família de Maria foi.
Ela olhava em volta para ver se via o tal José e nada. Quando terminou, na saída não pode deixar de vez o Josè, como também os olhares,risinhos derretidos das moçoilas da Aldeia.

Sentiu uma pitadinha  nem ela sabia o quê , nem podia adivinhar, ela já com os seu quatorze anos, nem corpo de moça tinha direito, nem muito menos instrução. Ele já um homem feito, bonitão e muito cobiçado. Ela simplesmente tentou tirar aqueles pensamentos bobos da sua cabeça, conseguiu por uns dias, até vê-lo novamente se aproximar da sua casa, no seu belo cavalo..
Era de tardezinha... Tomou um susto quando o viu. Desta vez o seu pai estava em casa já que era um domingo e ninguém naquela casa desrespeitava o dia do Senhor, era sagrado, nem mesmo Maria costurava seus vestidos de boneca, nem fazia suas lições da escola no seu caderno de areia.

─ Maria, venha até aqui na sala!
Quase teve um desmaio, quando viu seu pai chama-la, suou frio e entrou
:─  Conhece este rapaz José?
_ Conheço sim meu pai, mas daquele dia que ele veio lhe procurar!
_ vos sabe o que ele veio fazer aqui?

─Não senhor!
─Veio pedir sua mão em casamento!
─Meu pai, eu não sei o que dizer, o senhor é quem sabe, o que o senhor quiser está bom para mim.
─ Já dei o meu consentimento, ele é um rapaz bom, de boa família,.É mas ,vosmecês têm que noivar um pouco para se conhecer, sentados aqui na sala, ouviu bem?

Ela aceitou não só por obediência ao pai, o que era comum naquela época, o que não era o seu caso. Na verdade já estava gostando dele, mas não entendia a voz que falava alto no seu coração, nunca ninguém o ensinara que sentimento era aquele, sabia que era um gostar diferente, daquele gostar dos pais, dos irmãos, mesmo assim sentia algo que cada vez se tornava mais forte.

Durante o tempo de noivado, Maria e José nem conversara muito, Maria deu  seu sim ao noivo, o olhava com muita  timidez, em poucos meses já estavam” prontos “para o casamento. Foi uma festa simples com a mesma simplicidade de Maria, Ela estava linda naquele vestido feito por sua mãe naquela máquina de mão, imaginou o quanto foi difícil para sua mãe fazê-lo.

Lá se foi Maria com Josè na garupa do cavalo, carregando na mala, seus pertences, suas bonecas com a pequena coleção de roupinhas feitas por Maria, do aprendizado escolar, levou consigo o escrever seu nome sem ajuda de ninguém, lento, meio soletrado, mas escrevia, como também aprendera  escrever algumas palavras..
A casinha de José e Maria, era uma casinha bem simples, mas bem cuidada,um brinco, os lençóis de saco bem alvejado, os panos de pratos, mais parecia umas tapiocas de tão brancos..José cortava bem caprichado a lenha e Maria arrumava embaixo do fogão. Suas panelas de barro com tampas de latas, mas brilhantes como se  fossem de alumínio.

José era muito amoroso, logo a Maria se apegaram muito,  ele era  um esposo muito bom. Só que quando ele saia para trabalhar, Maria sentia tristeza, enquanto cuidava dos afazeres da casa. tudo bem,ela cantava arrumando a casa, fazia com muito prazer distraía Maria, mas depois, batia uma solidão, lembrou das bonecas que guardara escondidas, resolveu então nas horas vagas brincar, assim o tempo passava enquanto José não  voltava da roça..

Porém, um certo dia José chegou mais cedo, ela nem deu tempo de guardar as bonecas, ele  flagrou....No seu jeito calmo,a chamou  para uma conversa séria, ela estremeceu com a seriedade dele:

─Por que, eu fiz alguma coisa de errado?
─Não Maria, acredito que não fez por mal, mas estar na hora de vosmecê entender, que não é mais criança para brincar de bonecas, agora vosmecê é uma mulher casada, dona de casa e tem um marido!

─José, eu não sabia que eu não podia brincar mais de boneca, mas é que eu me sinto só, depois que faço tudo em casa  brinco enquanto vosmecê não vem.

─Ta bom Maria, de agora em diante já sabe, vosmecê já é uma mulher, apesar de jovem, daqui alguns meses terá uma boneca ou boneco de verdade para cuidar.

─Como assim?

 Alguns meses depois a “profecia” de José se cumpriu. Nasceu  a primeira boneca de verdade de Maria para felicidade dos dois..

Assim foram felizes até a morte!

                       FIM

* Nota: Nem só de dor, desencontro,vilão, rivalidade se constrói uma história de amor , nem precisa ser água com açúcar.A vida já é coadjutora de várias histórias amorosas e o destino conspira á favor.

 imgem emprestada:google
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